Notícia Completa
06:30 - 23/01/2010
Jornal do Commercio (PE)
Motoqueiros ignoram lei e perigo no Sertão
Em Araripina, condutores de motos descumprem o código e não usam equipamentos de segurança. Número de infrações cometidas pelos “pilotos” subiu de 4.745, em 2008, para 6.982, no ano passado Está no Código Brasileiro de Trânsito (CTB): os condutores de motocicletas, motonetas e ciclomotores só poderão circular nas vias públicas e rodovias utilizando capacete de segurança, com viseira ou óculos protetores. A infração, em tese, gera suspensão do direito de dirigir. Mas em Araripina, distante 683 quilômetros do Recife, no Sertão do Araripe, o artigo nº 54 da legislação é ignorado. Apesar de a lei existir, é difícil encontrar pessoas protegidas nas ruas da cidade, onde 13% da população tem motos. Em Araripina, mesmo quem não tem moto faz uso dela. O mototáxi é o principal meio de transporte do município. Há quem arrisque até mesmo crianças de colo na garupa. Levantamento do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) mostra que de 2008 para o ano passado o número de infrações cometidas por motociclistas em Araripina subiu de 4.745 para 6.982. Como o trânsito na cidade não é municipalizado, a responsabilidade pela fiscalização nas ruas é do Detran, que diz fazer parceria com o Batalhão da Polícia Militar local. Mas o comportamento da população mostra que a infração não é coibida como deveria. “A maioria das pessoas só usa capacete quando tem policiamento. Passageiro quase não usa. Eu geralmente não uso. Nunca pensei no perigo. Conheço gente que já caiu da moto, mas não se machucou seriamente”, diz a atendente Nilsa Souza, 22 anos, que, como a maioria, abusa da sorte. ESTRADAS A Polícia Rodoviária Federal (PRF) admite que não só a cidade, mas toda a região do Araripe é crítica. Chega a ser considerada a área mais complicada do Estado. Além de não usar capacetes, há motociclistas que sequer têm habilitação. Mas a polícia se diz de mãos atadas, pois o efetivo não é suficiente. Araripina não tem posto da PRF. A fiscalização, quando é feita, fica sob a responsabilidade de quatro homens e uma viatura da equipe de Ouricuri, que cobre a malha rodoviária dos municípios até a divisa com o Piauí. As festividades que atraem centenas de pessoas para a cidade polo da região contam com uma equipe de seis homens do posto de Salgueiro para realizar o trabalho de fiscalização. “Temos um problema de efetivo grave. Estamos na expectativa de um novo concurso. O governo federal liberou 3 mil vagas para o Brasil inteiro, mas a demanda é de 10 mil homens. É preciso manter policiamento permanente em todos os pontos críticos. Mas não temos condições”, explica o assessor de comunicação da PRF no Estado, Eder Rommel.
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